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Hora do Planeta

18
Mai16

Ataques de crocodilos em Timor-Leste aumentam sem medidas de controlo

SAPO TL

Um projecto de monitorização de crocodilos em Timor-Leste confirma o aumento de ataques este ano, com pelo menos 15 incidentes que causaram três vítimas mortais, segundo dados facultados à Lusa. 





Autor: Jorge Santos; Fonte: Timor - a ilha feiticeira (Dezembro 2015)


 


O projecto está a ser desenvolvido pela Direcção de Biodiversidade do Ministério de Comércio, Indústria e Ambiente (MCIE), pelo Departamento de Agronomia da Faculdade de Agricultura da Universidade Nacional de Timor-Leste e pela direcção de Remote Sensing and Landscape Information Systems, da Universidade de Freiburg.


 


Segundo os dados recolhidos até ao momento por este projecto, entre 2007 e 2014 houve pelo menos 123 vítimas de ataques de crocodilos no país, 59 das quais mortais.


 


A maior fatia de ataques ocorreu em zonas dos distritos de Viqueque e Lautem, incluindo em locais de destino turístico como Com e Tutuala.


 


Nos últimos meses, tem havido também vários casos de observação de crocodilos nos arredores de Díli e há o registo de pelo menos uma fatalidade: em Abril um pescador foi mordido e acabou por morrer por causa dos ferimentos.


 


Mas há cada vez mais observações de crocodilos em diversos pontos de Timor-Leste, tanto na costa sul como na norte, com especial destaque, recentemente, para as costas próximas da capital, Díli.


 


Estanislau da Silva, ministro da Agricultura e Pescas, explicou à Lusa que o executivo está a tentar reactivar contactos, especialmente com a Austrália, no intuito de responder ao problema, "algo que não é fácil".


 


"Mas eu sou da opinião de que se deve começar a abater os crocodilos. Este assunto é alvo de grandes debates. Mas tem de se abater os crocodilos que atacam", afirmou.


 


"Devemos trabalhar com a Universidade de Darwin que tem sistemas e metodologias para identificar os crocodilos que atacam e esses devem ser abatidos", disse.


 


O governante admite que questões tradicionais e culturais são um obstáculo aos esforços do Governo, especialmente na ponta leste do país onde as comunidades vivem mais arreigadas a esses aspectos mas onde também ocorrem mais ataques.


 


"Temos de ver a melhor forma de comunicar com as comunidades. E estudar medidas para mitigar o problema", disse.


 


"Foi já apresentada uma proposta para criar aqui uma unidade de criação de crocodilos para fins comerciais. Esse investimento ainda não se concretizou mas pode vir a ocorrer", referiu.


 


Sebastian Brackhane, investigador da Universidade de Freiburg e um dos responsáveis do projecto, explicou que a tendência é de um aumento de incidentes o que requer modelos de gestão focados mais na prevenção de ataque e mitigação do problema do que em conservação dos animais.


 


Além do mito de criação do país, da ilha crocodilo - há muitos rituais, poemas e outras manifestações culturais que honram o avô Lafaek (crocodilo) -, também há quem em Timor-Leste veja nos ataques uma espécie de punição da natureza contra as vítimas.


 


Aspectos como este condicionam as respostas das autoridades ao problema e ajudam a paralisar decisões mais concretas e amplas do executivo.


 


Uma das estratégias tem sido, em algumas zonas do país, estabelecer o que se intitula de Espaços de Exclusão de Crocodilos, zonas vedadas com estruturas de metal ou bambu para permitir que as comunidades realizem actividades como lavar a roupa, tomar banho ou até pescar em segurança, reduzindo o risco de ataques.


 


O impacto da crescente população de crocodilos - aponta-se a possibilidade até de uma migração das populações do Território Norte da Austrália (onde a sua proliferação impede, por exemplo, banhos nas praias de Darwin) - está igualmente a ter impacto ambiental.


 


Os crocodilos podem estar a contribuir para a queda no número de tartarugas de uma espécie local recentemente descoberta, a Chelodina timorensis, afectando outros habitats do país.


 


Dados disponíveis de investigações levadas a cabo em 2012 sugerem um aumento constante do número de animais da espécie Crocodylus porosus, o crocodilo de água-doce que nos anos 70 do século passado quase chegou à extinção.


 


com Lusa

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